Análise PS4/PS Vita - One More Dungeon

 Republicação de uma análise do site, no mesmo a nota final era uma percentagem com de 1 a 100, com base em 4 ou mais pontos fundamentais, aqui a nota é dada de 1 a 10 sem números decimais. 

Mais um jogo roguelike que chega à PS4 e Vita, neste caso One More Dungeon até se identifica como um FPS, devido à sua perspetiva a puxar mais aos clássicos, mas a questão é se o seu aspeto retro lhe dá algum tipo de vantagem em relação a roguelike games mais atuais.

Não há nada demais para compreender em One More Dungeon, o vosso objetivo é encontrar o boss, que será sempre o monstro de grande porte do nível em que estiverem, derrota-lo de maneira a obter uma chave, e por fim encontrar a porta selada onde irão usar a chave para avançar de nível, para poderem repetir tudo de novo. E basicamente é assim que se joga OMD. Não há nenhuma característica neste jogo que a meu ver o faça destacar-se mais de outros, e isto poderia não ser necessariamente mau se o gameplay do jogo fosse mais interessante, a ideia de One More Dungeon seria juntar um roguelike game com os clássicos do Doom, neste caso não foi um resultado bem obtido na sua essência, Doom é um shooter que é capaz de entreter horas a fio, e manter-nos sempre on the edge digamos assim. Os níveis do jogo, para ser mais correto, são geradas processualmente, isto até poderia ser interessante, mas existe a meu ver uma linha muito fina entre o não querer ter muito trabalho a fazer níveis e o querer criar algo interessante, temos o Quest of Dungeons por exemplo, onde é usado o mesmo processo, o jogo tem uma perspetiva top down ou seja diferente deste, mas é o mesmo género, e as dungeons são interessantes de se explorar, já em One More Dungeon, apesar de achar a maneira como os níveis ficam gerados interessante, eles acabam a não ser interessantes de se explorar.

Esta minha última afirmação não é para ser levada para o campo que os níveis são mal gerados, foi mais um statement de que há sem dúvida jogos que usam este sistema mais para poupar trabalho que outra coisa, mais a puxar ao estilo do “velho” Fuel, que tinha um open world tremendo, conquistado com um sistema de copy paste de secções do mapa pelo jogo em si de maneira a carregar o mundo de uma maneira constante com o avançar do jogador, reutilizando esquemas vezes e vezes sem conta, por isso se alguma vez no Fuel viram a mesma árvore queimada 3000x em sítios diferentes, não foi um acaso, mas avançando, no caso do Quest of Dungeons, existe um sentimento de recompensa em explorar os níveis da dungeon, não só na questão que há elementos de RPG no jogo com progressão de nível a aumentar o dano que fazemos, que aguentamos e o nosso nível de XP, mas encontramos loot escondido, seja ele novas habilidades, seja moedas de ouro para gastar no shopkeeper, seja em armamento e equipamentos de nível superior ao nosso atual, etc…, já em OMD só temos poções, armas melee em que não vão encontrar nada muito melhor do que com a espada com que começam o jogo, nem nada muito melhor que o bastão mágico que já empunham, aliás basicamente encontram é outros com poderes diferentes, e as moedas de ouro para gastar nos shopkeepers que possam encontrar, que são algo raras de se ver, fora isso lá existe por norma 1 baú de tesouro à espera que encontrem a  chave do mesmo, que costuma conter uma arma, uma poção e talvez alguns cristais dos 3 possíveis, embora encontrar tudo isto seja relativamente fácil sem ter de se esforçarem para abrir o baú do nível em que estão. Em termos de progressão de personagem encontram quando calha algo para melhorar o vosso nível máximo de vida, o que dará jeito, mas nada demais, não existe um sentimento de recompensa em explorar os níveis e em querer erradicar todos os monstros que encontramos, sejam eles os caracóis, esqueletos, morcegos, shamans etc…

Fosse esta a única questão o aspeto do jogo apesar de ser engraçado não o ajuda a sair da cepa torta. A jogabilidade é basicamente moverem a câmara na horizontal, aperta L ou L1 no caso da PS4 para usar o bastão mágico, apertam R ou R1 para usar a vossa arma melee e pronto podem mover-se também, têm ainda poções que podem apanhar, de regeneração de vida, de restauro de vida, antidoto para veneno e uma que é venenosa, podem ainda associar itens e equipamento aos direcionais para uso rápido, e quando a usarem a poção venenosa por engano só se for numa da vezes que estejam a tentar organizar o vosso inventário que é lento para navegar e talvez um pouco de nada desastrado, quanto à magia há 3 tipos diferentes, que é alimentada pelos tais cristais que já tinha falado, existem ainda algumas magias que usam os 3 cristais por exemplo, mas que fazem algo inútil, como lançar uma rajada de vento que faz 0 dano e empurrar só inimigos para trás, digo que isto é inútil porque basicamente eles têm uma linha de visão muito curta, o que vos dá aberturas para os começar a atacar com magia muito antes de eles vos notarem e começarem a ir atrás de vocês, também de notar que a grande maioria dos inimigos são lentos, basicamente isto torna-se um jogo de recuar e lançar magia. O grande problema vem na forma de controlo da câmara do jogo, na Vita a rotação da mesma já é um pouco rápida demais do que aquilo que devia ser, o que acaba a tornar a vossa pontaria algo má, mas mesmo assim é incrível dizer que é pior na PS4, apesar de o analógico ser mais suave a mexer no DS4 que na Vita, a verdade é que a sua velocidade de rotação transmitida para o jogo é mais rápida no mesmo que com o analógico direito da Vita, ou seja a câmara move-se mais rápido na PS4 e eu fico naquela de porque é que isto está tão desajustado.


Fora isto tudo podem ainda adquirir modificadores do jogo jogo, que podem depois ativar ou desativar quando recomeçam o mesmo, seja por vontade própria, seja porque morreram, sem falar que quando morrem perdem tudo o que conseguiram basicamente, também não fará muita diferença porque lá está, não há realmente um sistema de progressão implementado, portanto morrer acaba a ser relativo, e o jogo torna-se só uma experiência de ver até onde se consegue ir, sendo que neste caso em particular chegar longe nem é algo difícil nem de complicado.

Um trabalho derradeiramente pobre em termos de finalidade, não existe em nenhuma parte da experiência de One More Dungeon, um sentimento de que no seu design foi pensado algum tipo de sistema de recompensa às ações do jogador, até os jogos mais imperdoáveis nos dão isso de uma maneira acrescida pelo esforço, aqui não fosse esse o caso, o jogo é simples e fácil, e se contarmos com um modificador que torna os inimigos mais fracos, e um power up que nos dá a localização do boss do nível e da porta de saída, pergunto-me qual será o objetivo final deste jogo como uma experiência interativa, porque para um roguelike dungeon explorer faz questão de levar os jogadores na palma da mão, e faz muito pouco em ter algum tipo replay value mesmo quando ainda o estão a passar pela primeira vez.


Conclusão – Basicamente no fim do dia o jogo pode ser engraçado ao inicio mas rapidamente se torna aborrecido, sem um sentimento de conquista e recompensa real, fica como uma opção para quando não se tem mais nada que jogar.

Nota Final - 7/10 -  Desapontante!

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