Análise PS4 - My Brother Rabbit

A Artifex Mundi acabou de lançar My Brother Rabbit, um jogo que tenta levar o estúdio numa nova fórmula de contar as suas aventuras e jornadas utilizando elementos mais base dos point n' click mas de uma maneira ainda algo própria deles, a questão é se isto resulta ou não e a resposta pode ser neste caso um pau de dois bicos.


A história como podem apanhar por press releases é a de uma família com dois filhos, um rapaz e uma rapariga, em que a menina fica doente do nada e é levada ao hospital para ser diagnosticada com uma doença algo grave que nunca se fica a saber o que era, o rapaz por si decide dar à sua irmã um coelho de peluche seu e juntos começam a imaginar uma aventura algo fantástica representativa do que se passa no suposto mundo real do jogo. A jornada no mundo de fantasia é seguida por um mapa mundo que é  algo pequeno e nos vai mostrando para onde temos de ir, isto serve mais para fazer um pin point de para onde estamos a ir e para ter a noção de que quando chegamos a locais chave dá-se uns breves cutscenes, e isto para nos fazer acompanhar o que se passa no mundo real que vai sendo representado de uma maneira de fantasia no jogo. Neste mundo de fantasia seguimos o coelho que tem uma amiga que é uma flor que se encontra doente e em que o coelho em si vai pegar nela e viajar por este mundo em busca de uma cura para ela, ou seja o que foi revelado em press releases é o que é a plot em si realmente, sinceramente acho que podiam ter dado um pouco de mais relevância às cutscenes do mundo real, talvez com algum texto, também achei que a jornada no jogo podia ter sido mais longa, aliás percebo o porquê de ser curta pois é como elas costumam ser vindas deste estúdio mas mais um ou outro local  não ficaria nada mau para se explorar, houve umas quantas vezes em que podia ver por exemplo alguns cenários de fundo em que ficava a pensar se calhar vou poder ir lá e ver aquilo mais de perto mas para minha surpresa até, isso nunca ocorreu e achei que foi uma pena.


Em gameplay é aqui que eu digo que tem toques algo peculiares da Artifex porque apesar de seguirmos o coelho e a planta nunca temos controlo directo sobre ele, eu quando comecei a jogar pensei mesmo que fosse ser um point n' click a 100% em que carregamos no ecrã para fazer a personagem ir lá e tomar acções e afins, mas nem por isso. Eles implementaram um bocado o sistema dos seus jogos em que temos um ponteiro e andamos pelos cenários disponíveis a resolver mini-puzzles e a recolher objectos para resolver esses mesmos mini-puzzles e afins. O coelho lá se vai movendo e eventualmente com a flor mas tem a total noção da nossa presença, o jogo de uma maneira muito leve tenta quebrar a barreira da 4a dimensão mas de uma maneira muito, mas muito leve, não o suficiente para ter um impacto real. Esta abordagem não ficou má só posso dizer que alguns dos puzzles achei demasiado simples, metade do nosso tempo vai ser em busca de objectos para poder iniciar ditos puzzles para avançar alguma parte da história e mesmo resolver outros para conseguir alcançar ditos objectos e posso dizer que o equilíbrio entre estas duas coisas está correcto, e também ajuda o facto de ser uma jornada curta, ou seja algo que apontei como uma pequena falha mas que é o modelo dos jogos deles, serem curtos, acaba a favorecer o jogo em si em não criar monotonia ou seja dai o eu dizer que percebo porque o fazem.


Neste campo como disse sinto certos puzzles demasiado simples e essa acaba a ser a única falha, para alguns jogadores vão se calhar encontrar algum desafio mas quem esteja mais habituado ao género não vai sentir problemas a resolver os mesmos, a falta de escolha de dificuldade como é costume nos jogos deles também se faz notar que é mesmo pretendido ser assim para todos, talvez seja uma tentativa de agarrar mais jogadores para esta nova etapa.

Visualmente o jogo está deslumbrante, esta nova aproximação deles em arte 2D ficou muito bem conseguida a meu ver, o jogo tem o seu quê de aguarelas com design virtual a meu ver e ficou muito bem conseguido, apresentando um mundo cheio de cor e detalhe que a meu ver está bastante engraçado e do qual gostaria de ter visto muito mais. A OST aqui é um caso especial, temos 1 faixa e acreditem que vai ser o suficiente e de maneira engraçada por norma seria algo que iria apontar como secundário naquilo que é esta jornada mas pelo contrário, se tirarem um bocado a meio da jornada para a ouvirem vão começar a sentir alguma tristeza e todo o drama desta aventura vai-se fazer sentir mais profundo, é um caso engraçado mas em que a faixa algo melancólica se faz sentir e eleva toda a experiência e impacto da jornada se simplesmente tirarem algum tempo para a escutar.


Bem como disse é um pau de dois bicos, certas coisas que digo como falhas entende-se que resultam em pontos positivos, outras é mais o eu esperar algo mais desafiante e ser na realidade uma jornada direccionada a ser acessível a todos. Portanto com isto tudo dito só tenho a finalizar com, a Artifex está num bom caminho, gostei desta nova abordagem nas suas experiências e é um bom passo em frente em relação ao que têm feito que de si já eram jogos algo interessantes sem dúvida (uns mais que outros). Estou para ver como vão trabalhar os seus jogos no futuro e mais concretamente já sabemos que vem ai um novo que toma base numa paródia num país de ditadura comunista, que passa a ideia de realmente tomarmos controlo da personagem ao contrário de My Brother Rabbit. Recomendo este jogo a quem seja fã dos jogos deles ou a quem procure um point n' click de abordagem mais leve.


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